O PRÍNCIPE (poema mimoso)

 

 

Cagando estava o Imperador vaidoso

E nunca se viu cu mais cabeludo.

Pois o fino, o elegante, o poderoso

Em termos de cocô se iguala em tudo.

Apesar do trejeito escrupuloso,

Perdeu aquela cara de sisudo

E deu-se por vencido o rei lombudo

Sob as ordens de um rolo malcheiroso.

Ele correu depressa ao toalete,

Desatou a gravata e outros panos

Sentindo, já no beiço, o grão-tolete

A latejar os músculos do ânus!

Com ansiedade de quem quase defeca

Tentou mirar a fauce da sentina,

Mas querendo salvar sua cueca

Vazou-lhe pela perna a merda fina.

Pois não imaginou que vinha mole,

Da consistência de uma tal idéia…

E, achando-se senhor do próprio fole,

Não podia enganá-lo uma diarréia!

Mas aprendeu que a dor é mais embaixo.

E esta lei equivale a “O Rei Está Nu!”:

Quem na vida se serve de capacho

Não pode confiar no próprio cu.

 

 

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