EPIFANIA

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EPIFANIA

Ao longe sobre a montanha,

avistei uma capela

entre a névoa da campanha.

Misteriosa aquarela

sob incêndios e canhões,

onde a morte se aquartela.

Resistindo aos bastiões

da guerra e à desenfreada

pilhagem dos batalhões,

restava a igreja esmaltada.

Seu altar, inatingido;

Sua nave, abandonada.

Salto o muro proibido

E busco o átrio da igreja:

último asilo dos feridos.

Me acerco, para que eu veja,

o céu azul mais sereno

por que minh’alma peleja.

São doze horas. Meu pequeno

olhar contempla as alturas

buscando – à guisa de aceno –

Velas, vitrais, iluminuras,

E não me sinto sozinho

malgrado o pio das corujas.

Frei Antônio, ali vizinho,

pregava para ninguém.

Espero. Hesito. Caminho,

Corro pra porta onde, além,

por estreitos corredores

tento alcançá-lo. Porém,

só me punjo de suores.

Provo espiá-lo pela fresta:

E suplico: “Aonde fores,

leva-me! Leva-me! Arresta

minhas dores”. E então,

vi-me portando uma cesta

de doces, cuja inscrição

com goiva, cinzel e brasa

eu tentei delir em vão.

Dizia: “Volta pra casa”.

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