Laudes & Vésperas

the-angelus-1859-1.jpg!Blog


ANGELUS, de Jean François Millet. Óleo sobre tela.

I

Eu canto a Luz além da luz primeira

que se oculta por trás desse arrebol.

Canto a Vida que habita a cerejeira

e todo dia reinventa o sol.

Quando a água jorrando da torneira

lava os jardins de malva e girassol,

me lava a face na segunda-feira,

é que eu acordo. Assim, dessa maneira,

aprendi a assoviar com o rouxinol

e, embora nunca alcanço o mi-bemol,

eu vou cantando pela vida inteira.

II

Hoje espero uma nova melodia

que sirva para todas as manhãs…

E cante o tempo e a muda liturgia

com que os pomares dão suas romãs.

No sumo bom das doces melancias,

da pêra verde e das rubras maçãs

escuto a voz de Deus que salmodia

à espera de outras horas e manhãs.

Amanhece. O sol morno e a água fria,

Descem ao poço as belas aldeãs…

– Moça, onde mora a eterna melodia

que sirva para todas as manhãs?

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s