Pequeno Conto Erótico

Nota Preliminar: O seguinte conto pode ser considerado de extremo mau gosto por algumas pessoas. Por uma razão muito simples: ele é de extremo mau gosto. Há trechos explícitos e repulsivos.

Às pessoas de extrema sensibilidade, que possam se sentir ofendidas com o conteúdo deste texto, recomendo fortemente o seguinte: deixem de frescura, leiam o texto e divirtam-se!

 

 

Dedicado à musa que o inspirou

 

Numa manhã de sábado, Daniela percebeu uma mancha escura avermelhada na região interna da coxa esquerda, próximo à virilha. Não doía, mas tinha a aparência de um hematoma. Apreensiva, ela temeu que fosse uma infecção contagiosa ou, pior, uma doença venérea.

Quis telefonar para o pai, mas pensou melhor e desistiu. Ele era muito autoritário, e reagiria mal se aquilo fosse uma DST. Além do quê, viajara com a mãe, e ficaria especialmente aborrecido se tivesse que interromper a folga por causa de um problema que ele interpretaria como resultado da irresponsabilidade da filha.

Daniela também não queria ter que se explicar. Na noite anterior, havia tido relações sexuais com um desconhecido no banco de trás do carro dele. Foi um desastre. Embriagada numa festa, sentiu-se atraída pelo que lhe havia parecido uma bela figura. Mas, quando se sentou no banco de trás do carro, com as pernas abertas, suada e despenteada, não conseguiu sentir prazer. Foi desconfortável, ela ficou impaciente e incomodada com os beijos que recebia, o peso do corpo do parceiro a machucou. O rapaz, que na escuridão da boate parecera atraente, não tinha verdadeira beleza. Terminou rápido, ela não chegou ao orgasmo, e quando acabou se sentia exposta.

A mancha apareceu na manhã seguinte. Não podia estar ali há mais tempo, ela teria notado. Sempre se sentia mal quando se permitia uma aventura dessas quando bebia demais, e desta vez a sensação de culpa foi aumentada pelo medo de ter contraído alguma doença. Pensar no que seu pai diria se descobrisse só piorava seu humor.

Na esperança de não ser nada grave, decidiu aplicar uma pomada que havia no armário do banheiro. Nervosa, massageou a região escurecida e, para sua surpresa, a sensação tátil foi agradável, mais ou menos como quando se acaricia uma ferida infeccionada com uma pluma. Isto a deixou um pouco menos apreensiva. Deitou-se, e continuou acariciando a mancha enquanto pensava no que faria depois.

Só despertou à tarde. Estava mais calma, ergueu-se animada, planejando sair de casa para almoçar. Como seus pais viajaram, ela tinha alguns dias para pensar no que fazer. Mas, ao se levantar e descobrir as pernas, teve um susto. Durante o sono a mancha havia adquirido um aspecto repulsivo. A pele, escurecida, tinha inchado e enrugado. No centro brotaram dois pequenos caroços arroxeados, aparentemente cheios de pus.

Foi um choque. Não lhe parecia possível que aquela “infecção” – ou o que quer que aquilo fosse – pudesse ter piorado tão rápido. Apavorada, ela sentiu com urgência a necessidade de descobrir logo de que aquilo se tratava. Mas como marcar uma consulta médica sem os pais saberem? Era sua mãe quem guardava o cartão do plano de saúde, e ela precisaria telefonar para ela para pedir o número de seu registro e os detalhes… Por outro lado, não tinha coragem de se expor, sozinha, na emergência de um hospital.

Chorou muito, deitada na cama, até lembrar-se de Ronaldo, um amigo seu da escola, agora estudante do quinto ano de medicina. Era um rapaz inteligente e discreto, de quem Dani gostava como amigo e que, embora vez em quando desse sinais de que se sentia atraído por Daniela, respeitava-a o suficiente para evitar demonstrar isso. Decidiu telefonar-lhe.

Ele estava fora da cidade. Tinha ido com uns amigos a uma festa em Ponta de Pedra. Só pretendia voltar em dois dias, mas Daniela insistiu tanto, falou-lhe com tanta veemência que ele acabou cedendo.

– É sério, eu não sei mais a quem pedir, e eu tô muito doente, por favor! – e voltou a chorar.

Parecia injustificável a Ronaldo voltar a Recife por causa de um pedido assim, do nada, mas, até onde ele sabia, Dani não seria leviana a ponto de suplicar daquela forma se realmente não houvesse algo grave acontecendo. De todo modo, a festa não estava tão boa, e talvez Ronaldo estivesse inclinado a aceder porque sentisse alguma vaga esperança de aquilo pudesse ser um pretexto.

Ronaldo a conhecera na infância, quando ela ainda era uma loira magrela, quase esquálida, e teve oportunidade de testemunhar, com grande aflição, a desconcertante metamorfose que transformara aquela menina numa mulher de tão grandes peitos. Como quase todos seus colegas de turma, fantasiara em horas ociosas imaginando mil e uma coisas a respeito da amiga. Prometeu, portanto, até mesmo com certa animação, voltar pela manhã do dia seguinte.

Dani desligou o celular e trancou-se no quarto. Estava obcecada por aquela coisa em sua coxa. Sentia-se apreensiva, pensava no pai, e depositava suas esperanças em Ronaldo. À noite a mancha já parecia uma ferida, mas não doía nem coçava. Particularmente os caroços eram repulsivos, estavam intumescidos, pareciam prestes a estourar. Quando ocasionalmente os cutucava, ela sentia cócegas, não dor.

Permaneceu o dia inteiro num estado febril, atormentada pelo avanço acelerado do distúrbio. Em qualquer outro contexto, uma situação assim teria sido insuportável para ela, mas, de alguma forma, ela se sentia tranquila. Apesar do asco, quando olhava para a ferida no espelho sentia como se estivesse lidando com algo familiar, que sempre a incomodara, mas que até hoje fora suportado com naturalidade. Era uma sensação esquisita, como se ela estivesse embriagada ou delirante. Parecia não haver razão para se preocupar. Quando ela tinha coragem de acariciar as bordas, sentia a mesma sensação agradável e tranquilizante de antes, quando passara a pomada. Tarde da noite, depois de algumas fantasias obsedantes que tivera enquanto observava o ferimento, adormeceu, exausta.

No dia seguinte, Daniela despertou com o distante ruído da campainha. Era domingo, não havia ninguém em casa. “Ronaldo!” – pensou. Correu até a sala de estar e abriu a porta, sem nem conferir se era ele mesmo quem tocava. Surpreendeu-se por ver a expressão de espanto no rosto do amigo, e só então se deu conta de que ainda estava de camisola e sem sutiã. Ela estava tão feliz por ver o rosto familiar que nem faz caso de aparentar timidez: atirou-se em seus braços e o abraçou. Ronaldo, desconcertado com o contato da pele ainda quente daquela moça tão bonita, não soube o que dizer.

– Você não parece doente – disse, recobrando o controle, mas logo percebeu um súbito abatimento no rosto da amiga.

– Tem uma coisa aqui em minha perna. Apareceu ontem de manhã. – ela respondeu enquanto já o puxava pela mão até o quarto. Por ter acordado naquele instante, ainda não tinha podido ver se a ferida havia piorado durante a noite. Sentiu receios do que Ronaldo pudesse pensar. Sentou-se na cama e cobriu a coxa esquerda com um travesseiro. Agora sim estava encabulada, receosa com o que ele poderia pensar, mas, por outro lado, não conseguia evitar certa sensação de tranquilidade – e até de alegria – em ver o rosto de seu amigo ali tão próximo ao seu.

– É aqui – apontou.

– Deixa eu ver.

Ronaldo afastou delicadamente o travesseiro. Ambos se sobressaltaram. A mancha havia piorado ainda mais: o inchaço murchou, dando lugar a uma concavidade viscosa, vermelho escuro, como se um pedaço da pele de Daniela houvesse sido arrancado, deixando a carne viva à mostra. Os caroços intumescidos pareciam à beira de estourar. Ao redor formou-se uma espécie de crosta, onde havia como que fiozinhos de pele soltos.

– O que foi isso, Dani, pelo amor de Deus?!

– Eu não sei! Ontem era só uma mancha vermelha. Piorou muito rápido! – Daniela também estava chocada com a evolução daquilo.

Ronaldo jamais vira algo parecido. Uma laceração daquele tamanho não poderia ter simplesmente brotado da noite para o dia. Além do mais, como ela não sentia dores?

– Eu nunca vi nada assim… Você não derramou algo corrosivo na perna?

– Não, eu juro! Ontem era só uma mancha vermelha! Eu passei o dia trancada no quarto!

– Mas…

– O que eu devo fazer, pelo amor de Deus? – e começou a chorar, de uma forma meio infantil, como se pedisse o amparo do amigo. Ele não tinha ideia do que fazer. Abraçou-a e deixou que ela desabafasse. Quando se acalmou, ela tomou coragem e confessou, ainda chorosa, o que havia feito na boate, na noite anterior ao surgimento da mancha. Depois, envergonhada, perguntou:

– Será que é uma DST?

– Nenhuma doença venérea faria um estrago deste tamanho da noite pro dia, Dani. Tem certeza que não derramou nada corrosivo na pele?

Ela disse que sim com a cabeça. Ronaldo, então, que havia trazido alguns instrumentos esterilizados em sua bolsa, pegou uma pinça e disse que ia examinar. Primeiro limpou as bordas com uma gaze e, com o dedo médio e o indicador unidos, acariciou a pele ao redor da crosta, para avaliar se ela sentia dor. Dani estremeceu de súbito. Ronaldo parou, preocupado.

– Doeu?

– Não, continue! – O contato dos dedos de Ronaldo provocou-lhe uma sensação boa, como a que havia sentido no dia anterior quando passava a pomada, só que muito mais intensa. Ao mesmo tempo, sentindo a tensão afrouxar, Daniela parecia ter esquecido completamente a gravidade da situação. Ronaldo observou seus olhos azuis, intrigado com essa mudança súbita de atitude. Dani o encarava afetuosamente. Estava realmente muito feliz por ele ter vindo.

Ronaldo, hesitante, voltou a passar os dedos ao redor da região da pele afetada. Dessa vez Daniela não se sobressaltou, mas estava claro que se reprimia, fazendo esforço para não morder os lábios. Chegou a deixar escapar uma risadinha de prazer quando ele tocou suavemente a borda, com a pinça. Na verdade, o exame a estava fazendo se sentir maravilhosamente. Começou a ter pensamentos infantis. Olhou para o rosto de Ronaldo e imaginou como seria bom se ele, depois dos exames, dissesse que iria passar sorvete gelado em sua coxa, para sarar. Seria um delírio? A confusão no rosto do amigo fez Dani se sentir ainda mais segura e à vontade, como se tudo aquilo fosse uma brincadeira. Ela ousou retirar por inteiro o travesseiro que a cobria, deixando descobertas toda a coxa e a virilha. Sua calcinha ficou à mostra.

Ronaldo a conhecia faz tempo, e sempre a vira não só como a beldade da escola, mas como uma menina extremamente inteligente, às vezes manipuladora, mas também compenetrada. Apesar de certo ar de seriedade, costumava ser espontânea e bem-humorada. Aquela súbita explosão de leviandade, porém, absolutamente não se encaixava na ideia que Ronaldo tinha a respeito de sua personalidade. Ele continuou examinando, fingindo não notar a excentricidade de seu comportamento. Segurou firme a coxa – com a mão esquerda quase tocando a calcinha – e com a direita manuseou a pinça. A verdade é que, apesar do absurdo, a situação o estava deixando excitado. As pernas brancas de Daniela o oprimiam. Sua garganta estava seca. Ele cutucou um dos caroços com o instrumento.

– Dói? – perguntou, quando viu que sua amiga havia feito uma expressão estranha.

– Não, de jeito nenhum!

– Está cheio de pus.

– Então estoura!

– Daniela, isto…

– Estoura!

Ronaldo não podia acreditar. O que estaria passando pela cabeça de sua amiga? Haveria malícia em seu olhar? Antes ela parecia abatida. Por que tudo isso? Mesmo inquieto, Ronaldo se deixou levar, talvez com não pequena medida de recalcado cinismo. Ele segurou a coxa com mais força – sua mão agora já tocava a calcinha – e, inseguro, espremeu o caroço, liberando uma espantosa quantidade de pus.

Quando sentiu o líquido saindo de seu corpo, Daniela gemeu. Sentiu um alívio enorme, como se algo que a oprimisse há muito tempo sumisse de repente. Ronaldo limpou a pus com a gaze, tomou fôlego e espremeu o outro caroço. Inebriada pela sensação de libertação, ela gemeu mais alto e deitou-se na cama. Sentia-se leve. Enquanto ele se ocupava enxugando a perna, ela o chamou num sussurro.

– O que foi? – Ela fez um sinal para ele se aproximar. Ronaldo deitou-se e Dani o abraçou, sorrindo.

– Eu acho que vou melhorar agora – sua voz não era mais que um sussurro. Sonolenta, ela parecia ter se livrado de toda preocupação. Ele também estava feliz. A sensação de tê-la em seus braços era mais do que confortável, era uma intimidade deliciosa. Ela acariciou os cabelos do amigo e o beijou na bochecha, quase que no canto da boca.

– Você podia me fazer só mais um favorzinho? – sussurrou como se fosse pedir algo indecente.

– O que?

– Você podia passar um pouquinho de pomada, pra sarar melhor? – havia positivamente malícia em sua voz. Ronaldo concordou com a cabeça e foi buscar o medicamento no armário do banheiro.

Respirou fundo e lavou o rosto na pia. Aquilo tudo era irreal: a ferida, a mudança no comportamento da amiga… Olhou-se no espelho, enxugou o rosto, pegou a pomada e criou coragem para voltar. Ele estava sexualmente excitado, e que se permitisse esse impulso numa situação tão bizarra era algo que o envergonhava. Quando retornou, Daniela recebeu-o de pernas abertas, com as coxas muito alvas, bem desenhadas, e a calcinha de algodão à mostra. Pusera uma das mãos atrás da cabeça, numa atitude desleixada, o que dava a seus seios um contorno arredondado.

Dani abaixou uma das pernas para que o amigo se aproximasse. Ele se ajoelhou ao lado da cama. A aparência da ferida mais uma vez havia mudado. Agora que os dois edemas desapareceram – dando lugar a fissuras na carne – a concavidade viscosa parecia palpitar. Era como se a carne estivesse pulsando, viva, periodicamente enchendo e secando. Não havia explicação médica possível para aquilo. Se sua vocação científica não estivesse obscurecida pelo atordoamento que lhe provocava a atração sexual, Ronaldo teria ficado fascinado com o fenômeno. Agora, porém, ele só queria atender ao pedido de Dani, que arfava sobre o colchão.

Logo que o amigo tocou a ferida, Daniela estremeceu. Uma satisfação sexual intensa começou a invadi-la. Ronaldo excitou-se a despeito da repugnância. Quando massageou a concavidade, esta reagiu ao contato de sua mão, enchendo-se como um pulmão, as duas fissuras onde antes havia os caroços abrindo-se para receber a pomada. Pareciam duas boquinhas monstruosas, como se a coisa tivesse vida. Ronaldo continuou, apesar do asco, pois Dani começara a se contorcer, a gemer alto, como se uma onda de prazer a possuísse. E de fato estava experimentando picos de deleite sexual próximos à dor. Massageava os próprios mamilos, seu órgão sexual, e logo começou a balbuciar indecências. Ronaldo estava enfeitiçado, dividido entre o nojo, o espanto e a excitação.

Eles perdiam o juízo, deixando-se levar pela situação absurda. Os gemidos evoluíram para gritos, ela se contorcia, imersa no próprio deleite. Ronaldo, então, se entregou ao impulso: ainda massageando com o indicador, aproximou os lábios da ferida e a beijou. Meio desesperada, Daniela soltou um grito animalesco, não era possível saber se de dor ou de prazer. Então ele começou a lamber, não mais pensando na responsabilidade sobre o que estava fazendo. Dani foi possuída por algo como um transe, um orgasmo tão intenso que durou alguns instantes e a fez perder os sentidos numa explosão sensorial que a fez guinchar com uma voz que não era inteiramente humana. Ela contorceu-se, contraiu os músculos num espasmo, revolveu-se na cama, debatendo-se até desmaiar. Sua respiração estava fraca, e por alguns instantes seu corpo continuou tremendo, como se ela estivesse tendo uma crise epiléptica, ou como se os efeitos do orgasmo estivessem se prolongando em seus músculos, mesmo após o desfalecimento.

Ronaldo também tremia. Deitou-se ao lado de Daniela e abraçou-a. Estava à beira de um ataque nervoso, sentindo frio e ensopado de suor. Estava fisicamente exausto, com uma terrível tensão nas têmporas, profundamente envergonhado por ter se envolvido naquilo, e com uma ereção latejante. Apertou Daniela, aconchegando-se a seu corpo quente.

 Trêmulo, ele beijou a amiga desfalecida na testa, nos lábios, no pescoço e, acariciando seus seios fez por impulso algo de que depois se envergonhou: tentou penetrá-la, mas, antes que pudesse consumar esse impulso vil, verteu involuntariamente uma volumosa quantidade de sêmem na coxa da amiga. Depois disso, deitou-se ao seu lado.

Como uma criança, Ronaldo choramingou por quase vinte minutos, sem sequer conseguir estabelecer uma linha de raciocínio coerente. Seus pensamentos se misturavam aos terríveis sentimentos que o afligiam, até que, por pura exaustão, conseguiu recuperar a calma.

Levantou-se, com o rosto carrancudo e os olhos inchados, e percebeu que o aspecto da ferida da amiga tinha melhorado. Foi ao banheiro buscar uma toalha, e então limpou sua coxa, mal humorado, mais para esconder o que tinha feito do que por senso de cuidado. Cobriu-a com um lençol, pegou sua bolsa, saiu, trancou a porta e passou a chave por baixo.

Daniela dormiu o dia todo e a manhã seguinte. Acordou sem nenhuma cicatriz. Nunca mencionou a Ronaldo o que se passara naquela manhã e, por duas semanas, esteve particularmente bem-humorada.

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